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ago 05 2016

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Entrevista ao Café com Redes

Olá Pessoal,

   Segue na íntegra a entrevista que fiz ao Café com Redes de nosso amigo Diego, que contém um conteúdo rico de informações técnicas e sua trajetoria também de estudos para alcançar sua certificação CCIE.

Café com Redes – Como foi o seu início na carreira em T.I e quais foram as suas maiores dificuldades no começo?

Rodrigo Rovere – Eu tenho uma formação técnica na área de Eletrônica onde trabalhei por quase 7 anos nos setores de manutenção e projetos. Entretanto, após alguns anos nessa área e todos os amigos escolherem fazer Faculdade na área Eletrônica/Elétrica, eu decidi fazer minha faculdade em Engenharia da Computação, pois é um área que eu sempre gostei e tinha muito interesse em aprofundar meus conhecimentos. Porém, com essa decisão, também vinha o meu primeiro obstáculo de migrar de uma área onde eu já tinha uma consolidação maior para uma área que aparentemente era desconhecida e não tinha nada de experiência.

Mesmo assim resolvi mudar e dentro da grade curricular de 5 anos para Engenharia, consegui me recolocar na Área de TI somente quando estava no ultimo ano da faculdade, que foi justamente para fazer meu estágio dentro da mesma corporação que eu já atuava na área de Eletrônica. Nesse momento eu não tive nenhum mudança financeira, mas sabia que eu teria que fazer uma mudança drástica financeira e profissional para conseguir entrar de fato no mercado de Redes /Telecom . Após finalização de meu estágio, eu ainda permanecia trabalhando como técnico eletrônico, pois não foi possível continuar na mesma área do estágio, o que me deixou muito frustado.

Mas não desisti e resolvi fazer um treinamento CCNA em uma Academia Cisco, e literalmente brigar para que essa barreira de troca de área profissional pudesse de fato ocorrer. Quando faltava 1 mês para finalizar o treinamento, eu consegui uma oportunidade para trabalhar como suporte de nível 1 em uma grande corporação ( British Telecom ), onde exigia Inglês fluente. Nesse momento fiquei aterrorizado, porque eu estudava inglês, mas não tinha nenhuma experiência nesse sentido, ou seja, mudança de área e ao mesmo tempo falando outro idioma. Porém, foi o momento que achei que deveria arriscar para tentar um futuro onde eu acreditava que seria melhor para mim.

Além de tudo isso, eu ainda estava em uma fase de mudança pessoal onde iria casar em 3 meses. Muitas coisas passando pela cabeça, o que essas mudanças poderiam  nos trazer de consequências, mas agora vejo todo esse processo como uma mudança bem executada. Após 4 meses nessa empresa, resolvi fazer a prova de Certificação CCNA, e com grande esforço consegui passar. Após esse momento, despertou o interesse nessa metodologia. Devido a utilização frequente no trabalho e também com a utilização de um novo idioma, acreditei e iniciei minha carreira em certificações Cisco, e a cada conquista a visibilidade dentro da companhia estava mudando, o que me possibilitou migrar para um suporte de nível 2 e depois nível 3.

Após as certificações CCNP, CCDP, CCNA Security, CCDA eu ingressei em um processo interno para mudança de área onde atuaria mais em estrutura de projetos ( Pré – Pós Venda ), e na qual eu trabalharia mais focado em projetos e não em incidentes. Nesse período, também adquiri mais alguns certificações de Specialist e, após todos esses processos, resolvi iniciar CCIE.

Café com redes – Por onde começou as suas certificações? E Como foi o início nas certificações Cisco (tracks etc)?

Rodrigo Rovere – Eu inicie minha carreira em Cisco, acredito eu como todos pela certificação CCNA ( versão 3.1 ). Eu executei meu treinamento em uma das Academias Cisco ( NetAcademy ), onde consegui meu voucher e com muito esforço passar pela primeira barreira com uma pontuação de 898 pontos. Após essa prova, descobri que eu gostaria de me aprofundar mais e entender melhor toda essa tecnologia por trás dessas estruturas, baseado também na finalização de minha Faculdade em Engenharia da Computação. Após essa primeira barreira, comecei a estudar (self learning) com os livros da Cisco Press e muitos documentos disponibilizados pela Cisco e outros pontos descobertos por essa vasta Internet sanando as dúvidas que vão surgindo no decorrer dessa caminhada, com isso fui para o CCNP ( carreira de 4 provas ), CCDA, CCNA Security, CCDP, Cisco Routing and Switching Specialist, Cisco Video Network Specialist, CCIE R&S ( #52315 – magic number ) e devido ao CCIE conquistei também a certificação de CCNA Collaboration.
Dentro de toda essa carreira, eu também acabei me tornando instrutor do NetAcademy obtendo a certificação CCAI onde lecionamos os treinamentos de CCNA R&S, CCNA Security e CCNP.

Café com Redes – Qual a sua opinião sobre materiais nacionais voltados para redes Cisco (cursos/livros/graduações etc)?

Rodrigo Rovere – Acredito que hoje já temos muito conteúdo nacional de grande valor que acaba trazendo experiência e informações interessantes, tanto para os estudos como também para o dia a dia em descobrir novas formas de trabalhar. Temos diversos BLOGs brasileiros especializados nesses conceitos com inúmeras informações e exemplificações para as implementações/metodologia da tecnologia.

Entretanto,  ainda sabemos que todas as novidades e tópicos mais delicados, específicos, ainda permanecem em Inglês. Por enquanto nenhuma prova da Cisco é ministrada em Português, o que torna o conhecimento de outro idioma essencial para nossa evolução dentro do mercado de tecnologia.

Café com Redes – Como você vê o cenário do mercado de redes e infraestrutura atual? Quais as suas perspectivas para esse mercado nos próximos anos aqui no Brasil?

Rodrigo Rovere – Eu vejo esse mercado local e global em crescimento exponencial com a demanda de conhecimento em todas as vertentes de tecnologia. Hoje estamos em uma era de “centralização ” de serviços, onde os clientes desejam ter um serviço muito mais adequado as necessidades dele do que propriamente solicitar “caixas “.

Hoje já estamos passando por essa fase de tudo precisa ser virtualizado e oferecido de forma agregada e não mais separada, o que essa menção de “caixa ” acabará sendo disponibilizada em servidores, mas o que precisamos carregar é justamente o conceito das tecnologias, pois o trabalho árduo de construção de scripts no decorrer será executado apenas através de clicks, mas na hora do troubleshooting os fundamentos de cada tecnologia é o que vai carregar como vantagem. Vemos hoje muitas menções sobre SDN e a tendencia será oferecer essas camadas isoladas trazendo também mais um skill em nossa bagagem, a questão de programação (phyton).

CCNA-ao-CCIE

Café com Redes – Como você decidiu estudar para o CCIE? O que te motivou? e como foi a sua jornada até conquista?

Rodrigo Rovere – Eu decidi estudar o CCIE, pois era uma certificação onde todos mencionavam que exigia muito esforço e dedicação, e que traria uma bagagem de conhecimento muito grande. Por características dos estudos que eu estava seguindo, esse era objetivo a ser alcançado como uma meta profissional e pessoal.

Os motivos seriam aperfeiçoar os conhecimentos e também uma forma de conquistar novas posições, e um reconhecimento pessoal de atingir uma meta que é reconhecida pelo mundo todo. A jornada para chegar até a conquista não é fácil, exige muita determinação e controle de seu tempo para chegar nos objetivos traçados, pois precisamos entender a fundo a tecnologia para que possamos depois colocar a prática em funcionamento, já que se falharmos em algum ponto essa engrenagem no final não irá conseguir rodar.

Meu plano de estudos iniciou-se com a validação do Blue Print lendo milhares de livros para que o ” Foundation ” pudesse estar apurado como TCP/IP Volume 1 e 2, CCIE Routing and Switching, MPLS, e inúmeras horas gastas lendo material Cisco das tecnologias, assistindo milhares de horas em vídeo aula.

Café com Redes – Quais materiais você utilizou? Como foi a sua rotina de estudos e conte um pouco sobre a prova (experiência única na carreira).

Rodrigo Rovere – Como mencionado anteriormente, utilizei muito os livros do Cisco Press (baseado no Blue Print ) e documentações da Cisco disponibilizados na internet sobre as tecnologias, bem como executei o bootcamp do IPExpert e assistir todas as vídeo aula do INE ( Brian ), um cara com uma didática fantástica e como brincadeira deve ter uns 10 dedos em cada mão, de como ele digita rápido e explica os debugs.

Após controlar todos os tópicos via planilha e itens que eu precisava atingir, tendo ela baseada novamente no Blue Print, fui gerenciando os meus conhecimentos tendo como referência base teórica, com a base prática para que eu pudesse cobrir todos tópicos e claro, ter a confiança em cada um deles para que isso não pudesse me influenciar em algum momento da prova.

O plano de estudo ficava a cargo de 3 a 4 horas diárias e ao finais de semana de 4 a 6 horas. Nesse plano eu enfrentei muitas dificuldades de seguir essa carga horaria devido a fatores profissionais e pessoais e que acabou prologando um pouco mais meus estudos, lembro que por diversas noites eu tomava vários cafés para conseguir ficar acordado e concluir o meu objetivo, onde dormir já havia virado luxo ( 4 horas de sono eu já comemorava muito…rsrs ). Lembro que na minha segunda tentativa eu peguei 20 dias de férias antes da prova e estava estudando em torno de 12 a 14 horas diárias.

A prova proporciona uma experiência muito interessante em questão de controle emocional, racional e temporal. Na minha primeira tentativa, eu não conseguir passar em uma das seções, mas com certeza meu nervosismo acabou influenciando em alguns itens. Até pensei em não fazer novamente, pois recebemos uma descarga emocional muito grande após a execução e sempre achamos que aquilo não terá uma próxima vez. Porém, depois de algumas semanas, você toma fôlego novamente e inicia sua jornada para finalizar aquilo que você se propôs a fazer. Na segunda tentativa eu estava muito mais tranquilo, calmo e sabendo que aquilo seria mais um dia de estudo/trabalho e que eu sabia fazer, ou seja, a determinação sua é sempre o que vai trazer para você os seus benefícios.

Café com Redes – Qual conselho você pode dar para quem está começando a carreira Cisco?

Rodrigo Rovere – Eu como professor sempre comento com os meus alunos que precisamos ter muita determinação naquilo que colocamos como propósito para nossa vida pessoal e profissional. Além disso, não podemos esquecer que há conhecimentos que precisamos perseguir em paralelo,  como por exemplo ter uma vivência maior com o Inglês , pois isso vai abrir mais portas e pode dar uma facilidade maior em algumas interpretações desse mundo tecnológico, também iniciar pela certificação CCNA que o objetivo dela já criar a base do conceito para que isso cresça como uma árvore criando essas ramificações de tecnologia.

   Fiquei muito feliz em tentar passar um pouco dessa minha trajetória e também trazer informações que possam incentivar outras pessoas a trilhar seu caminho com muita garra e determinação.

Abs,
Rodrigo

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